O que é TDA/H ? Transtorno Do Déficit De Atenção e Hiperatividade

O que é TDA/H ? Transtorno Do Déficit De Atenção e Hiperatividade        

TDA/H – O que é Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, afinal ?                                                          

O Transtorno do Déficit de Atenção (TDA/H) é o diagnóstico neuropsiquiátrico usado para  nomear um comportamento desatencional com ou sem histórico de hiperatividade física ou mental excessivo, presentes predominantemente em crianças e adolescentes. Em adultos tal diagnóstico só foi constatado a partir dos anos 90. Acredita-se que os sintomas desapareçam na medida em que os indivíduos adentrem para idade adulta, havendo poucos casos de prevalência, principalmente da hiperativade, nessa parcela da população.

Transtorno do Déficit De Atenção

TDA/H

Vale salientar que o  diagnóstico neuropsiquiátrico, não deve ser o único processo a ser realizado em uma criança ou adolescente que apresentam os sintomas presentes  no TDA/H, já que sua análise se baseia em variáveis que cobrem apenas parte do contexto de vida  do indivíduo e nem sempre levam em conta fatores importantes que podem estar provocando um comportamento desatento, impulsivo e hiperativo da criança . Esses sintomas podem, em uma leitura relativizada, estar sinalizando na vida desses indivíduos um incômodo, uma dor ou até mesmo uma angústia em relação a algo que vem acontecendo em seu processo de vida. Quem sabe, até mesmo a entrada na escola e sua nova adaptação ao contexto escolar ? Analisar esses fatores é crucial no processo,  principalmente antes do uso da medicação, que pode até ajudar no processo, mas não irá calar a dor daquele que a experimenta. A recomendação é a de que somente com a ajuda de uma equipe interdiciplinar formada por : psicólogos, psicopedagogos, professores, psicanalistas, entre outros das áreas afins, pode-se aproximar da possível causa de tal comportamento.Nem sempre a medicação, única , sem possibilitar ao sujeito o espaço para que  o indivíduo possa externalizar sua dor, poderá dar conta do tratamento.

A primeira menção do transtorno surgiu aproximadamente na década de 20 , com o pediatra inglês George Frederick Still. Still, como é conhecido, nomeou o atual transtorno de comportamento como um transtorno médico, nomeando-o como defeito de conduta moral ou controle moral, herdado geneticamente de seus pais. Segundo ele, o defeito era originado por um provável dano cerebral. Existiam também especulações de que sua causa poderia também ocorrer por problemas na hora do parto. Podemos pensar  em como essa definição nos parece familiar ainda nos dias de hoje, com um vocabulário mais específico e técnico, claro, devido ao avanço da ciência. Porém, se analisarmos bem, o  que   parece mudar são muito mais os termos técnicos  – não se houve falar mais  em controle moral e sim , controle das funções executivas do lóbulo frontal, ou algo parecido – do que propriamente em comprovações técnicas que comprovem a  causa do problema. O psiquiatra e psicanalista , Rossano Lima Cabral chama a atenção para esse fato de forma muito relevante em suas trajetória de pesquisa sobre o tema. Vale a pena prestarmos atenção no que ele tem a dizer sobre o assunto, sempre que for possível. Deixo aqui minha indicação.

Nas décadas de 30 a 40, concomitantemente com o surgimento das anfetaminas,  Still  resolveu mudar o nome para disfunção cerebral mínima, já que não foi  comprovado até então  o dano cerebral. A partir daí, adota-se, as recém-nascidas, anfetaminas como forma para tratamento da tal disfunção.

Os anos se passaram e na década de 60 e 70 a ênfase deslocou-se muito mais para  a questão da hiperatividade, já que a  falta de atenção era um fator insuficiente para um diagnostico infantil, visto que, naquela época, achava-se que o transtorno tinha a tendência de desaparecer na adolescência. Essa fato acontece em muitos casos  ainda hoje. Em 1968, o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders  (DSM III ), atualmente  ( DSM IV ), em uma nova tentativa de categorização, com base no que foi dito até agora, reclassifica a disfunção como reação hipercinética. E mais tarde, em 1978, seguindo ainda essa ênfase na hiperatividade outra  mudança acontece, passando a se chamar  transtorno hipercinético.

O que é TDA/H ?

O que é TDA/H

Ao que tudo indica, parecia não haver mais um consenso médico em como realmente esse “problema” poderia ser categorizado. Seria  doença ocasionada por uma lesão ou desvio de comportamento ? Temos ,contudo, a impressão de que os estudos estavam redirecionando o assunto muito mais para uma reação comportamental do que, na verdade, para uma disfunção ou doença.

Nos anos que se seguiram, entrando ao longo da década de 80, percebemos claramente o deslocamento de interesse no foco do problema. Agora não mais seria dado atenção especial a hiperatividade, mas sim à desatenção. E como desatenção não é um problema exclusivo de crianças e adolescentes, muito longe disso, os  adultos foram inclusos no grupo dos portadores da “lesão, disfunção, distúrbio, reação, déficit, transtorno” ou simplesmente, (DDA) Distúrbio Do Déficit de Atenção. Nome que passaram a denominar a “lesão, disfunção, distúrbio, reação, déficit ou transtorno” no CID-9 (CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS), atualmente na versão 10 CLASSIFICAÇÃO DE TRANSTORNOS MENTAIS E DE COMPORTAMENTO DA CID 10 (CID 10). Até aqui, acreditava-se que a hiperatividade desaparecia, mas a desatenção acentuada permaneceria ao longo da vida do sujeito, adentrando ,portanto, até a fase adulta. Seria então, o TDA/H uma lesão, disfunção, distúrbio, reação, déficit ou  transtorno” relacionado com  o tipo de atividade do sujeito ? Se isso fosse comprovado, justificaria a exceção do grupo de idosos com o diagnóstico . Sobre esse tema me aprofundo no tópico: Idosos também podem sofrer do Transtorno do Déficit de Atenção ?

Finalmente nos anos 80, início dos anos 90, adotou-se uma solução de compromisso que mudava novamente o nome da “lesão, disfunção, distúrbio, reação, déficit ou transtorno” para TDA/H – Transtorno do Déficit da Atenção com ou sem hiperatividade (impulsividade). Hoje, finalmente é assim que esse transtorno é conhecido e reconhecido na atualidade.

Não precisamos ir muito longe para ver especialistas renomados , com importantes títulos e grande experiência profissional apontarem uma tabela de critérios diagnósticos para a “lesão, disfunção,  reação, déficit , distúrbio (DDA) ou ,finalmente, Transtorno do Déficit da Atenção com ou sem Hiperatividade (TDA/H) ” . Esse fato em minha opinião é extremamente preocupante  , pois o que tenho visto é uma divulgação exacerbada de que ao seguir os pontos apresentados nessa tal tabela todos   poderão levantar hipóteses sobre o problema.

De acordo com essa tabela, que possui de  doze  a  dezoito  perguntas sobre seu comportamento, poderão te incluir no público alvo do transtorno. Ao que tudo indica,  se ao menos seis ou nove dos  sintomas do Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDH/A )presentes na tabela , estiverem sendo reconhecidos em seu comportamento  por um período mínimo de 6 meses, pronto ! Você está condenado a ser um “provável” Portador do Déficit de Atenção , que pode ser mais brando se só houver um tipo, ou gravíssimo se for acoplado a ambos os problemas, que são a desatenção e hiperatividade. Procure ajuda neuropsiquiátrica e prepare-se para a Ritalina ( metilfenopropano), pois ela é a melhor opção para o seu caso de desatenção e/ou  com hiperatividade.

Analisando o caminho, mesmo que de forma resumida e aproximada, sobre como o TDA/H foi “descoberto” ao longo dos anos até os dias atuais, o que chama a atenção até o momento é o fato desse diagnóstico ter sido construído de maneira controversa, simplória e extremamente reducionista, desde o seu surgimento até os dias atuais.

 

O que é hiperatividade ?

O que é hiperatividade ?

O que é  preciso deixar claro, em minha opinião, é que existem “opiniões” e teorias sobre o assunto e não verdades absolutas como estão sendo divulgadas. Por exemplo, gostaria que fossem apresentados a população reflexões do tipo :

– Você sabia que não há nenhum exame que aponte os níveis de Dopamina e Noradrenalina no organismo humano, mesmo com todo avanço da ciência e que o diagnóstico realizado é com base em um aspecto dimensional ? Ou seja, pode ou não ser resultado de uma disfunção emocional e comportamental do cérebro na vida da criança, do adolescente, do adulto ou até mesmo do idoso  durante um determinado momento ou de um longo período de sua vida ;

– Será que essa impulsividade da criança, do adolescente ou até mesmo do adulto, não retrata um incômodo, ou um desagrado com a tentativa da sociedade em padronizar comportamentos principalmente escolares ? Nesses casos, realmente, a imagem cerebral pode apontar índícios correlatos de ativações cerebrais que não têm causas absolutas no campo biológico, mas sim comportamentais influenciadas pela sociedade imediatista e multifocal em que vivemos ?

– Será que uma pílula pode calar a dor de uma criança que demostra seu desconforto com o sistema educacional que nossa sociedade lhe impõe ? Lembrei-me agora de Ruth Rocha, com A Escola de Vidro. Se puderem, leiam o texto.

Comento mais sobre esse e outros tópicos em : TDA/H – Transtorno Do Défict de Atenção – Os 100 Esclarecimentos de que você necessita antes de Tomar Ritalina.

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                                                                      Por Bárbara Santos                                                                                              Psicopedagoga Clínica e Institucional

 

 

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